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Pneu sem câmara é opção mais segura e prática para motos


Honda; CG; 125; Fan; Dafra; Riva; 150; Yamaha; YBR; 125; Factor; Comparativo; titan (Foto: Caio Kenji / G1)Um leigo pode achar que pneus são todos iguais. Mas, seja os de motocicleta ou de outros veículos, eles são complexos. No vasto panorama de marcas, tamanhos e modelos, um aspecto técnico se destaca do ponto de vista da segurança: o interior dos pneus. Ler “tubeless” ou “tube type” na lateral deles, no meio de um emaranhado de números e letras, faz grande diferença – capaz até de salvar a sua pele.
Pneu "tubeless" sem câmara (Foto: Roberto Agresti)Pneu "tubeless", sem câmara
(Foto: Roberto Agresti)
“Tubeless” define o mais seguro pneu sem câmara de ar, enquanto “tube type” é o nome dado ao modelo mais manjado, com câmara. A principal diferença entre um e outro, em termos práticos, é que o pneu sem câmara, se atravessado por um prego, tenderá a esvaziar gradualmente. Já os pneus com câmara de ar esvaziarão praticamente de uma vez.
Quem anda de moto sabe bem a diferença: mesmo os mais insensíveis condutores são capazes de perceber quando o pneu perdeu pressão. A moto fica com a agilidade e maneabilidade comprometida, e basta parar em um posto e regular a pressão que tudo volta ao normal. Já o esvaziamento rápido, especialmente do pneu dianteiro, torna o controle da moto praticamente impossível. E as consequências podem ser bem ruins quanto mais elevada for a velocidade.
Pneu "tube type" (Foto: Roberto Agresti)Pneu "tube type", com câmara (Foto: Roberto Agresti)
Tecnicamente, a diferença entre os tipos é pequena. Nos pneus sem câmara, há uma camada interna chamada de “liner”, que funciona como uma espécie de capa que assegura maior retenção do ar. Além disso, no desenho do talão de um pneu sem câmara – nome dado às bordas do pneu, que encostam no aro de roda –, a área de contato com o aro é mais ampla, assim como também há uma tolerância dimensional limitada. Fazer um pneu sem câmara entrar na roda é sempre mais difícil porque essa folga é pequena, justamente para eliminar a chance de o ar escapar.
Estrutura de um pneu "tubeless", sem câmara (Foto: Divulgação/Pirelli)Estrutura de um pneu sem câmara
(Foto: Divulgação/Pirelli)
As rodas devem ser específicas para pneus sem câmera, que são incompatíveis com as raiadas convencionais. De fato, apenas algumas maxitrail (motos de uso misto) contam com rodas raiadas projetadas para pneus “tubeless”. Nelas, o aro não é transpassado pelos raios como nas rodas raiadas das motos pequenas, o que permite a fuga do ar. A regra para saber se é ou não possível usar pneus sem câmara na sua moto é simples: se ela tem roda de liga, sim, vá em frente. Nas rodas raiadas, nunca use, salvo as exceções citadas e a não ser que você coloque câmara de ar no "tubeless" antes de instalá-lo. Um pneu sem câmara pode comportar uma, mas um que 
Consertos e trocas
A vantagem dos pneus sem câmara é indiscutível, e cada vez mais motos saem de fábrica com este tipo de pneu. A segurança é o aspecto mais importante, mas há outro bem significativo, o da praticidade na hora do conserto de um eventual furo. Regra número um: caso você tenha uma moto com pneu sem câmara e veja um prego ou algum outro “alien” espetado nele, jamais o retire. O prego serve como tampa do orifício e, enquanto ele estiver cravado ali, o ar que se perde tende a ser mínimo. Uma vez no borracheiro, o conserto de um pneu sem câmara não exige a sempre trabalhosa e demorada operação de retirada da roda, pois basta remover o vilão e inserir no furo uma espécie de “macarrãozinho”, componente específico que veda a fuga de ar. Você mesmo pode ter um kit com esse material e a ferramenta para aplicá-lo, o que não exige espaço nem grande habilidade.
Se tiver que trocar os pneus, leve sempre em consideração que, de simples, eles não têm nada. Antes de estarem prontos para uso, exigem experimentação de altíssimo nível, ou seja, testes de laboratório e de campo, uso extremo em pista e estrada. Por isso, é mais do que aconselhável confiar nos produtos de fabricantes renomados: pneus com marca de pneu, de marcas homologadas pelas fábricas de motos e usados como equipamento original.
A tecnologia aplicada ao projeto e construção dos pneus das motocicletas teve uma evolução brutal nas últimas duas décadas. Esse progresso pode ser visto não apenas pelo melhor comportamento dinâmico – leia-se maior aderência, poder de frenagem e durabilidade –, mas também pela grande resistência a furos e danos estruturais.
Pneus sem câmara devem ser a primeira opção tanto na hora da reposição como no momento da escolha da sua nova moto. No caso dos modelos sem rodas adequadas aos “tubeless”, é recomendável cogitar a troca das rodas: a despesa não é indiferente, pois um par de rodas de liga leve para uma 125/150cc pode custar cerca de R$ 500, cifra que é praticamente 10% do valor de uma moto zero km. Porém, tendo em vista a maior segurança e praticidade no conserto, a atitude equivale a contratar um anjo da guarda suplementar.

Dicas para motos no inverno

Com temperaturas variando entre 10ºC e 20ºC este ano, mas podendo ficar próxima do zero em regiões serranas, o inverno não pode ser desculpa para sua moto ficar parada, principalmente por ser uma estação de poucas chuvas. Separamos dicas para você colocar sua motocicleta na estrada e viajar com mais conforto e segurança.
Culpar o calor para não rodar com equipamento completo não adianta: bota, calça, jaqueta, luvas e capacete tem de estar presentes. Só que, além disso, é preciso escolher uma vestimenta apropriada para baixas temperaturas. Tudo começa com a roupa de baixo.

VÁRIAS CAMADAS
Nunca subestime o frio. Muitas vezes ele pode parecer ameno, mas a sensação térmica na moto é de mais frio em função do vento. "Pilotar tremendo de frio pode ser perigoso, já que o motociclista desvia a atenção da estrada", alerta Diego Miranda, 30 anos, instrutor de pilotagem do Centro Educacional de Trânsito Honda (CETH).

A regra é vestir várias camadas de roupas para evitar que o vento faça você perder calor, principalmente em altas velocidades. "Nessa época aconselhamos o motociclista a vestir diversas roupas e aprimorar seu equipamento de proteção", explica Miranda.
Há no mercado algumas opções de "segunda pele", roupas de tecido sintético para usar por baixo da roupa normal. Algumas podem ser caras, mas compensam o investimento porque duram bastante. Mas se você quiser economizar, boa dica é investir no "minhocão", aquelas ceroulas de algodão que pode ser usada por baixo da calça, e camisetas de manga comprida.

Outra dica importante é escolher uma jaqueta versátil, que tenha forro térmico interno que possa ser removido. Dessa forma, a jaqueta servirá para dias quentes e frios. Há também calças com forro interno removível.
Aproveite e já opte por equipamentos repelentes à água -- eles não são impermeáveis, mas ajudam a proteger de uma garoa, por exemplo, e costumam proteger melhor contra o frio. O tecido mais comum é a cordura, espécie de poliéster reforçado. Por ser sintético, ele seca mais facilmente e é mais leve que couro. Não se esqueça de que tanto a jaqueta como a calça devem ter protetores rígidos internos.

  • Mario Villaescusa/Infomoto 
  • Estar bem vestido (com várias camadas de roupa e o equipamento de proteção) é essencial
ACESSÓRIOS
As luvas também devem ser mais grossas que as usadas normalmente. Alguns motociclistas reclamam que luvas reforçadas prejudicam a sensibilidade, mas o frio é ainda pior. "Depois de alguns quilômetros de vento gelado os dedos ficam enrijecidos e perdem a sensibilidade. Isso atrapalha a pilotagem", conclui o instrutor da Honda.
Caso o frio seja muito intenso, pode-se também recorrer à balaclava -- toucas que pilotos profissionais usam -- para proteger rosto e pescoço.
PREPARANDO A MOTO
A motocicleta também pode sofrer com as baixas temperaturas. A dica do manual do proprietário e de vários mecânicos é a mesma: aquecer o motor. Não precisa ligar a moto e voltar para tomar banho, mas vale dar partida e deixá-la funcionando entre três e cinco minutos antes de partir.

Como a temperatura ambiente é baixa, todos os fluidos também estão resfriados. Esse aquecimento evita desgaste prematuro de peças do motor. O combustível mais quente também contribui para o rendimento da moto. Portanto o sistema elétrico -- a bateria, principalmente --- deve estar em boas condições, já que nesta época costuma ser mais exigido.

"O ideal é que mesmo depois de aquecer a moto, o motociclista pilote por mais cinco minutos com bastante cautela e atenção redobrada", acrescenta Miranda, da Honda. Isso serve para que outros fluidos, como o de freio e o óleo da suspensão, também atinjam a temperatura ideal. Vale lembrar que o pneu também leva alguns minutos para aquecer e oferecer a aderência necessária.

Para quem vai fazer longas viagens, pode-se investir em um aquecedor de manoplas -- há motos, como a BMW G 650 GS, que tem esta opção como item de série, mas há ainda a possibilidade de instalar o equipamento como acessório. Kawasaki e Yamaha, entre outras, têm esse item de fábrica. Procure instalá-lo em um mecânico de confiança, caso queria fazer o serviço fora da concessinária.

  • Infomoto 
  • Além das vestimentas próprias, a motocicleta também deve ser preparada para os dias frios
CUIDADO NA PISTA
Além da preocupação com as vestimentas e com a moto, é importante ficar atento à pista. Em regiões serranas, as temperaturas podem ficar próximas ou abaixo de zero. Nessas condições, a umidade do ar da madrugada pode formar uma fina camada de gelo sobre a pista e deixá-la escorregadia. Esse fenômeno já foi observado até mesmo na cidade de Campos do Jordão, no interior de São Paulo.
Nessa hora, o ideal é pilotar sem trancos e não fazer curvas muito rapidamente. Uma dica é não sair muito cedo para viajar. Não antes de o sol nascer e aquecer, pelo menos um pouco, a estrada, fazendo com que o gelo derreta.